Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Advento

Francis Mershman, Enciclopédia Católica



I. Introdução

Do latim “ad venio” (por vir, chegar), o Advento é um tempo litúrgico com início no domingo mais próximo à festa de Santo André Apóstolo (30 de novembro) e que abrange quatro domingos. O primeiro domingo pode ser, portanto, entre 27 de novembro e 3 de dezembro, o que permite ao Advento ter de 21 a 28 dias, a depender do ano. 

O ano eclesiástico começa justamente a partir deste tempo litúrgico, no qual os fiéis são exortados a:

  • – Preparar-se dignamente para celebrar o aniversário da vinda do Senhor ao mundo como o Deus de amor encarnado;
  • – Fazer de suas almas habitações adequadas ao Redentor que vem na Sagrada Comunhão e pela graça;
  • – Preparar-se, também, para Sua vinda final, como juiz, na morte e no fim do mundo. 

II. Simbolismo

A Igreja prepara a liturgia do Advento especialmente para atingir os fins elencados acima. No Breviário, ela chama seus ministros para adorar “o Senhor, o Rei que virá”, “o Senhor que se aproxima”, “Aquele cuja glória contemplareis amanhã”. Como leituras da primeira noite, estabelece capítulos do profeta Isaías, que falam em termos contundentes da ingratidão da casa de Israel, os filhos escolhidos que abandonaram e esqueceram seu Pai; que anunciam o homem das dores, ferido pelos pecados do seu povo; que descrevem fielmente a Paixão e Morte do Redentor; e que anuncia a congregação das nações ao redor do Monte Santo. Nas orações noturnas posteriores, três leituras dominicais são tomadas a partir da “oitava homilia do Papa São Leão Magno (440-461)” sobre o jejum e a esmola em preparação para a vinda do Senhor, e um domingo – o segundo – do comentário de São Jerônimo a Isaías 11,1 , em cujo texto ele interpreta a Santíssima Virgem Maria como “a descendência da raiz de Jessé”.  

Nos hinos da época, encontramos louvores à vinda de Cristo como Redentor, o Criador do universo, combinados com súplicas ao Juiz do mundo, vindo para nos proteger do inimigo. Ideias semelhantes são expressas nas antífonas do Magnificat nos últimos sete dias antes da véspera do Natal. Neles, a Igreja pede à Sabedoria Divina que nos mostre o caminho da prudência; à chave de Davi que nos livre do cativeiro; ao Sol Nascente, que nos ilumine, porque estamos na escuridão e nas sombras da morte.   

A Igreja mostra sua intenção, também, na escolha das epístolas e evangelhos das missas. Nas epístolas, exorta o fiel que, dada a proximidade do Redentor, deve deixar as obras das trevas e se vestir com a armadura de luz. Elas nos mostram que as nações são chamadas para louvar o nome do Senhor, convida-nos ao regozijo diante da proximidade do Senhor, para que a paz de Deus, que excede todo o conhecimento, guarde os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. Exortam-nos, ainda, a não julgar, pois quando o Senhor vier manifestará os segredos ocultos em seus corações. Nos Evangelhos, a Igreja fala do Senhor que vem em sua glória, em quem e por quem as profecias se cumprem, e do guia eterno no meio dos judeus, da voz no deserto: “Preparai o caminho do Senhor”. A Igreja, em sua Liturgia, nos traz de volta em espírito ao tempo anterior à Encarnação do Filho de Deus.  

III. Ritual

Em todos os dias do Advento, devem ser celebrados o Ofício e a Missa do domingo ou féria correspondente, ou, ao menos, deve-se fazer uma comemoração dos mesmos, independentemente da classe da festa celebrada. No Ofício Divino, o Te Deum é omitido; na Missa, o Gloria não é recitado, ao passo que o Alleluia é mantido. Durante o Advento, é proibido celebrar matrimônio solene (bênção e missa nupcial). O sacerdote e os ministros consagrados usam roupas violetas, para o que há uma exceção somente: o domingo Gaudete. Neste, que é sempre o terceiro domingo do Advento, as vestes litúrgicas podem ser rosa.   

IV. Origem

Não se pode determinar com certeza quando a celebração do Advento foi introduzida na Igreja pela primeira vez. Como preparação para o Natal, obviamente não foi celebrado antes que houvesse a festa em si. Não há nenhuma evidência do tempo em questão antes do fim do século IV. Lemos, pela primeira vez, a respeito da preparação, em um sínodo realizado em Zaragoza, em 380, cujo quarto cânon prescreve que não é permitido, de 17 de dezembro à festa da Epifania, que alguém ausente da igreja (aqui, toma-se o termo no sentido jurisdicional). Temos duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas “In Adventu Domini“, mas nelas não há referência expressa a qualquer momento particular. Há algumas homilias, provavelmente de São Cesário, bispo de Arles (502-542), em que se fala de uma preparação antes do Natal. Ainda assim, a julgar pelo contexto, não parece haver nenhuma lei geral sobre o assunto. Um sínodo realizado em Macon, na Gália (581), ordenou, em seu nono cânon, que a partir de 11 de novembro até o Natal fossem oferecidos o Santo Sacrifício segundo o rito quaresmal na segunda, quarta e sexta-feira da semana. O sacramentário gelasiano observava cinco domingos para o Advento. O papa São Gregório VII (1073-1085) reduziu-os para quatro. A coletânea de homilias do Papa São Gregório I (Magno) (590-604) começa com um sermão para o segundo domingo do Advento.  

Em alguns outros ritos, como o ambrosiano e o moçárabe – e em basicamente todos os orientais – não há liturgia especial para o Advento, mas apenas o jejum.


Fonte: Mershman, Francis. “Advent.” The Catholic Encyclopedia. Vol. 1. New York: Robert Appleton Company, 1907. <http://www.newadvent.org/cathen/01165a.htm>.

Traduzido por Gustavo Quaranta a partir da versão espanhola disponível em <http://ec.aciprensa.com/wiki/Adviento>.

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