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Bispo do Texas relembra carta do Vaticano que confirma o direito à Comunhão na boca durante pandemia

Tyler, Texas (EUA), 9 de junho de 2020 (LifeSiteNews) – Enquanto alguns bispos alegam possuir o direito de proibir a Comunhão na língua durante a pandemia de coronavírus, o bispo Joseph Strickland, de Tyler, no Texas, apontou para uma carta emitida pelo Vaticano em meio à pandemia de gripe suína de 2009 que prova o contrário.

Em 2009, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos respondeu aos questionamentos de um católico leigo sobre as restrições ao recebimento da Santa Comunhão na boca devido à gripe suína.

“Este Dicastério observa que sua Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004) estipula claramente que ‘cada um dos fiéis sempre tem o direito de receber a Santa Comunhão na língua’ (n. 92), nem é lícito negar a Santa Comunhão a qualquer dos fiéis de Cristo que não são impedidos por lei de receber a Sagrada Eucaristia (cf. n. 91)”, afirmou a carta.

Segundo a Redemptionis Sacramentum, publicado em 2004 pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, a recepção da Eucaristia na língua, como tem sido praticada há séculos, é essencialmente o modo padrão para os católicos receberem a Comunhão.

Em 2009, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos “assegurou” o católico leigo que perguntou sobre a recepção da Comunhão durante uma pandemia “que serão feitos os contatos apropriados”, sugerindo que os padres e bispos que proibiram a Comunhão na língua foram repreendidos.

O bispo Strickland, em seu tweet de 8 de junho, não comentou mais a carta. Ele apenas retweetou uma foto e escreveu: “Isto é importante…”

Em um seguimento, ele disse: “Infelizmente, a lei ignorada leva ao caos… estamos vendo isso em muitos níveis da sociedade… a lei quando ignorada se torna ainda mais importante… Vamos voltar primeiro à lei de Deus e, então, procuremos reconstruir a partir daí.”

Para a pandemia de gripe suína de 2009, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças “estimou que existiram 60,8 milhões de casos (alcance: 43,3-89,3 milhões), 274.304 hospitalizações (alcance: 195.086-402.719), e 12.469 mortes (alcance: 8.868-18,306) nos Estados Unidos.”

A mesma agência governamental está relatando menos de 2 milhões de casos de coronavírus, mas significativamente mais mortes – mais de 110.000.

Não há indicação de que um direito fundamental dos fiéis, como enfaticamente esclarecido no documento Redemptionis Sacramentum, não seria mais válido durante uma pandemia mais mortal que as pandemias anteriores.

No entanto, vários bispos nos Estados Unidos e em todo o mundo, por exemplo na Alemanha e na Áustria, ordenaram seus padres a não distribuírem a Sagrada Comunhão diretamente na língua.

O arcebispo Thomas J. Rodi, de Mobile, Alabama, advertiu seus padres de que eles não estão autorizados a celebrar missas públicas se quiserem distribuir a Santa Comunhão na língua.

“Se algum padre não puder seguir as regulamentações da arquidiocese, será necessário que ele abstenha-se da celebração das missas públicas”, escreveu Rodi em uma carta de 20 de maio obtida pela LifeSiteNews. “Esse assunto é sério demais para que possamos adotar outra abordagem que não seja de extrema cautela para a segurança de todos”.

“O distanciamento social deve ser mantido durante a missa e o único modo de mantê-lo ao distribuir a Comunhão é pelo comungante que recebe na mão”, argumentou Rodi.

Após a publicação desse artigo, uma fonte da Arquidiocese de Mobile relatou ao LifeSiteNews que a Comunhão na língua foi retomada em pelo menos alguns lugares por lá. A arquidiocese não parece ter feito um anúncio formal sobre o assunto.

De igual modo, o bispo Richard F. Stika, de Knoxville, no Tennessee, escreveu em um tweet de 8 de maio que os padres de sua diocese “não darão Comunhão na língua a não ser que recebam minha autorização”.

Além disso, Stika disse que, se alguém “fizer uma cena” pedindo para receber a Santa Comunhão na língua, “ele será convidado a sair e não poderá retornar [até] que isso passe”.

Ambos os bispos estavam contradizendo diretamente as diretrizes do Instituto Tomista sobre a “Restauração Faseada de Missas Públicas” recomendadas pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

O Instituto Tomista faz parte da Faculdade Pontifícia da Imaculada Conceição, na Casa Dominicana de Estudos, em Washington, DC. As diretrizes foram preparadas não apenas por teólogos, mas também por médicos especialistas, incluindo Timothy P. Flanigan, da Brown University, e Aaron Kheriaty, da Universidade da Califórnia, em Irvine.

Segundo o Instituto Tomista, é possível receber a Comunhão diretamente na língua “sem risco irracional”.

“As opiniões sobre esse ponto são variadas na comunidade médica e científica: alguns acreditam que a comunhão na língua envolve um risco elevado e, à luz de todas as circunstâncias, um risco irracional; outros discordam”, apontou o documento. “Se a comunhão na língua é fornecida, pode-se considerar o uso de um higienizador para as mãos depois de cada comungante que recebe na língua”.


Traduzido por Isabel S. Lisboa a partir do artigo da agência LifeSiteNews.

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Sobre a atual recorrente proibição de recebimento da santa hóstia sobre a língua, por Ricardo Dip, Presidente da União Internacional dos Juristas Católicos.

A Comunhão na mão, por Gustavo Corção.

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