Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Festas das Sete Dores de Nossa Senhora

Frederick Holweck, Enciclopédia Católica

A celebração se dá em dois dias¹:

  • Na sexta-feira após o Domingo de Ramos, maior, duplex.
  • No terceiro domingo de setembro, duplex de 2ª classe.

O objeto de tais festa é o martírio espiritual da Mãe de Deus e sua compaixão com os sofrimentos de seu Divino Filho.

(1) Os sete fundadores da ordem dos servitas, em 1239, cinco anos depois de se estabelecerem em Monte Senario, tomaram as dores de Maria, ao colocar-se sob a cruz, como a principal devoção de sua ordem. A festa correspondente, entretanto, não se originou com eles; sua celebração foi decretada por um sínodo em Colônia (1413) para expiar os crimes dos iconoclastas hussitas; ela deveria ser realizada na sexta-feira depois do terceiro domingo depois da Páscoa sob o título: “Commemoratio augustix et doloris B. Marix V.”. Seu objeto era exclusivamente a dor de Maria durante a crucifixão e morte de Cristo. Antes do século XVI esta festa estava limitada às dioceses do norte da Alemanha, Escandinávia e Escócia. Sendo denominada “Compassio” ou “Transfixio“, “Commendatio, Lamentatio B.M.V.“, ela foi celebrada em uma grande variedade de datas, sobretudo durante o Tempo Pascal ou pouco depois de Pentecostes, ou em algum dia fixo de um mês (18 de julho, Merseburg; 19 de julho, Halberstadt, Lübeck, Meißen; 20 de julho, Naumburg; cf. Grotefend, “Zeitrechnung”, II, 2, 166). Dreves e Blume (Analecta hymnica) publicaram um grande número de ofícios rítmicos, sequências e hinos para a festa da Compaixão, o que mostra que a partir do final do século XV em várias dioceses o escopo da festa foi alargado para comemorar ou cinco dores, da prisão ao sepultamento de Cristo, ou sete dores, estendendo-as ao longo da vida inteira de Maria (cf. XXIV, 122-53; VIII, 51 sq.; X, 79 sq., etc.). Em direção ao final do século XVI, a festa se espalhou sobre parte do sul da Europa; em 1506 ela foi garantida às irmãs da Anunciação sob o título “Spasmi B.M.V.“, na segunda-feira depois do Domingo da Paixão; em 1600 para as irmãs servitas de Valência,  “B.M.V. sub pede Crucis“, na sexta-feira após o Domingo de Ramos. Depois de 1600 a festa tornou-se popular na França e foi chamada “Dominx N. de Pietate“, na sexta-feira após o Domingo de Ramos. Por este tempo, a festa foi estabelecida por todo o Império Germânico. Por um decreto de 22 de abril de 1727, Bento XIII a estendeu para toda a Igreja Latina, com o título de “Septem dolorum B.M.V.“, embora o ofício e a Missa retenham o caráter original da festa, a compaixão de Maria aos pés da cruz. Tanto na Missa quanto no Ofício, o Stabat Mater de Giacopone da Todi (1306) é cantado.

(2) A segunda festa foi garantida aos servitas, a 9 de junho e 15 de setembro de 1668, duplex, com uma oitava para o terceiro domingo de setembro. Seu objeto das sete dores de Maria (de acordo com os responsórios de Matins) são as dores:

  • quando da profecia de Simeão;
  • durante a fuga para o Egito;
  • ao perder o Menino Jesus em Jerusalém;
  • ao se encontrar com Jesus em seu caminho para o Calvário;
  • ao permanecer aos pés da cruz;
  • quando Cristo foi retirado da cruz;
  • durante o sepultamento de Cristo.

Esta festa foi estendida à Espanha (1735); à Toscana (duplex de segunda classe com uma oitava, 1807). Depois de seu retorno do exílio na França, Pio VII estendeu a festa à Igreja Latina (18 de setembro de 1814, maior, dupla); ela foi elevada na classificação para duplex de segunda classe em 13 de maio de 1908. Os servitas a celebram como duplex de primeira classe com uma oitava e uma vigília. Também na ordem dos passionistas, em Florença e Granada (N.S. de las Angustias), sua classificação é duplex de primeira classe com uma oitava. Os hinos que agora são usados no ofício desta festa foram provavelmente compostos pelo servita Callisto Palumbella (século XVIII). Sobre a devoção, cf. Kellner, “Heortology”, p. 271, o antigo título de “Compassio” continua preservado pela Diocese de Hildesheim numa festa simples, no Sábado depois da oitava de Corpus Christi. Uma festa, “B.M.V. de pietate“, com um belo ofício medieval, é mantida em honra da mãe dolorosa em Goa, na Índia, e em Braga, Portugal, no terceiro domingo de outubro; na província eclesiástica do Rio de Janeiro, no Brasil, no último domingo de maio, etc. (cf. os calendários correspondentes). Uma forma especial de devoção é praticada em países de língua espanhola sob a expressão “N.S. de la Soledad“, para comemorar a solidão de Maria no Sábado Santo. Sua origem remonta à rainha Joana, lamentando a morte precoce de seu marido Filipe I, rei da Espanha (1506).

Para as Igrejas Orientais estas festas são desconhecidas; os católicos rutênios mantém uma festa da Mãe dolorosa na sexta-feira depois da oitava de Corpus Christi.


Fonte: Holweck, Frederick. “Feasts of the Seven Sorrows of the Blessed Virgin Mary.” The Catholic Encyclopedia. Vol. 14. New York: Robert Appleton Company, 1912. 13 Sept. 2019 <http://www.newadvent.org/cathen/14151b.htm>.

Nota:

¹ Atualmente, a festa se celebrada em toda a Igreja no dia 15 de setembro. Segue abaixo a oração da Missa, extraída do Missale Romanum, Ed. Vozes, 1943:

OREMOS

Ó Deus, em cuja Paixão, segundo a profecia de Simeão, uma espada de dor traspassou a dulcíssima alma da gloriosa Maria, Virgem e Mãe, por vossa bondade fazei que, venerando as suas dores, obtenhamos os felizes efeitos da vossa Paixão: Vós que, sendo Deus, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
OREMUS

Deus, in cujus passióne, secúndum Siméonis prophetíam, dulcíssimam ánimam gloriósæ Vírginis et Matris Mariæ dolóris gládius pertransívit: concéde propítius; ut, qui dolóres ejus venerándo recólimus, passiónis tuæ efféctum felícem consequámur: Qui vivis et regnas per omnia sæcula sæculórum.
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