Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Comemoração de todos os fiéis defuntos

Francis Mershman, Enciclopédia Católica

A comemoração de todos os fiéis defuntos é realizada pela Igreja em 2 de novembro, ou, se este for um domingo ou uma solenidade, no dia 3 de novembro. O Ofício dos Mortos deve ser recitado pelo clero e todas as Missas devem ser de Requiem, exceto uma da festa atual, onde isto é obrigatório.

A base teológica para a festa é a doutrina de que as almas, ao se apartarem do corpo e não estando perfeitamente limpas dos pecados veniais ou, ainda, não tendo expirado por completo as transgressões passadas, estão excluídas da Visão Beatífica, e que os fiéis na terra podem ajudá-las com orações, esmolas e, especialmente, pelo sacrifício da Santa Missa.

Nos primeiros dias do cristianismo, os nomes dos irmãos falecidos foram inscritos nos dípticos. Mais tarde, no século VI, era costume nos mosteiros beneditinos realizar uma comemoração dos membros falecidos, em Whitsuntide. Na Espanha ocorria o mesmo no sábado antes de Sexagésima ou antes de Pentecostes, na época de Santo Isidoro (d. 636). Na Alemanha existia (segundo o testemunho de Widukind, Abade de Corvey, c. 980) uma cerimônia de oração aos mortos no dia 1º de outubro. Tal costume foi aceito e santificado pela Igreja. Santo Odilo de Cluny (f. 1048) ordenou a comemoração de todos os fiéis defuntos para ser realizada anualmente nos mosteiros de sua congregação. Daí se espalhou entre as outras congregações dos beneditinos e entre os cartuxos.

Dentre as dioceses, Liège foi a primeira a adotar o dia, sob as ordens do Bispo Notger (d. 1008). É desde então encontrado no martirológio de São Protácio de Besançon (1053-66). O Bispo Otricus (1120-25) introduziu a data em Milão no 15 de outubro. Na Espanha, em Portugal e na América Latina, os padres dizem neste dia três missas. Uma concessão similar para o mundo inteiro foi pedida ao papa Leão XIII. Ele não concedeu o favor*, mas ordenou um Requiem especial no domingo, 30 de setembro de 1888.

No rito grego esta comemoração é realizada na véspera do Domingo da Sexagésima, ou na véspera do Pentecostes. Os armênios celebram o falecimento dos dos mortos no dia depois da Páscoa.


* O presente artigo foi escrito em 1907 e, até então, o privilégio de dizer três missas continuava sendo exclusivo das nações ibéricas. Porém, de acordo com D. Crisóstomo d’Aguiar, “O privilégio que antes tinham os sacerdotes de Portugal e Espanha de celebrar, no dia 2 de novembro, três missas, estendeu-o a todo o mundo o Papa Bento XV, por ocasião da Grande Guerra (1914-1918)”.


Fonte: Mershman, F. (1907). All Souls’ Day. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved October 31, 2018 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/01315b.htm

Traduzido por Isabel Serra

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