Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

O Ano Litúrgico e suas grandes divisões

D. Crisóstomo d’Aguiar

Entende-se por Ano Litúrgico a sucessão dos dias, semanas, meses e até estações, considerada quanto às festas da Igreja, aos mistérios da religião, às obras divinas da criação, redenção e santificação da humanidade.

Às três grandes épocas que dividem a história do mundo correspondem três partes do Ano Litúrgico.

Assim, a uma primeira época que compreende os séculos que precederam a vinda do Messias, corresponde o tempo do Advento, ou os quatro mil anos que prepararam a vinda do Salvador; à segunda, que abraça o advento do Messias e a sua vida cá na terra, o tempo do Natal e da Epifania, a Quaresma, precedida da Septuagésima e enfim o Tempo Pascal, ciclo da Encarnação e da redenção, que se realizaram durante os trinta e três anos que durou a estada de N. S. Jesus Cristo no meio de nós. Por último, a terceira época que abraça todos os tempos que se seguiram à vinda do Salvador e só há de acabar no fim do mundo, corresponde o tempo de Pentecostes, ou a série dos séculos que começou no momento da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, e há de terminar no fim dos tempos…

Se considerarmos as estações litúrgicas em relação com as épocas do ano solar, vemos admiráveis harmonias.

Assim, ao inverno corresponde o Advento. O inverno é o tempo do frio, das noites longas, dos sofrimentos e das privações; é o tempo das esperanças e da preparação: o sol tem pouca luz, e só difunde o seu calor muito parcimoniosamente; não dissipa completamente as sombras e as obscuridades. Da mesma forma, o Advento é para as almas o tempo do frio, dos suspiros, das sombras, e das esperanças; é para o homem o tempo dos labores espirituais da oração, da penitência e da prova; para Deus, é a preparação para a vinda do seu Filho à terra; aos gemidos e suspiros da criatura responde Ele, lançando nas almas gérmens de graça e de verdade.

Na primavera volta a natureza à vida após a morte aparente do inverno. As árvores, despojadas e como que mortas, de novo se cobrem de folhas e de flores; o sol mostra-se menos avaro de seus raios; os dias são mais longos e mais belos; a terra parece renascer; diríeis uma nova criação. É a imagem da segunda estação mística, verdadeira primavera das almas, em que tudo parece renascer para a vida da graça, tudo se apressa a crescer com o Natal e a florir com a Epifania.

O verão é o tempo dos nossos trabalhos; sob a ação de um sol ardente, os grandes calores ativam o amadurecer das colheitas que prometem abundância. Tal é o tempo da Septuagésima, a Quaresma com seus rigores, a Páscoa com suas alegrias; que corresponde à parte mais laboriosa da vida do Salvador, a sua vida pública, com jejum e a tentação por prelúdio, a pregação, as obras miraculosas, a paixão e morte, como formas de combate, a ressurreição, a Ascensão, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, como coroa da obra redentora.

Finalmente, é no outono que se fazem as colheitas. O mesmo acontece, na ordem sobrenatural, na quarta estação mística que compreende todo o tempo depois de Pentecostes. O que semeou no Advento, germinou e floriu no Natal e na Epifania, o que amadureceu na Quaresma e na Páscoa, está agora pronto para se colher pelos cuidados do Espírito Santo e da Igreja. Conforme o indica o Salvador é o tempo em que o pai de família manda operários para colher, no seu campo, a cizânia para se lançar ao fogo, o trigo dos eleitos para se amontoar no celeiros da eterna bem-aventurança.

Tal é o espírito, tais as harmonias que ao espírito observador se deparam no Ano Litúrgico, considerado em conjunto. Anotações especiais a cada uma das diferentes partes em que, seguindo a ordem do Missal, e em atenção as considerações que precedem, dividiremos o Ano Litúrgico, melhor salientarão o caráter peculiar de cada Tempo. Penetrando-se profundamente da ideia que a Liturgia lhe quer inculcar, o fiel saboreará a beleza das fórmulas de oração que a Igreja desde séculos lhe vem pondo nos lábios, para elevar a alma à contemplação dos mais altos mistérios.

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