Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Festa do Sagrado Coração de Jesus

D. Crisóstomo d’Aguiar

Além da missa da Primeira Sexta-feira do mês que se pode celebrar nas igrejas onde, por consentimento dos Prelados, se fazem especiais exercícios de devoção ao Sagrado Coração de Jesus, consagra a Liturgia uma festa particular, todos os anos, a louvar o mistério do amor de Jesus, simbolizado no seu Coração de carne.

É a festa mais amada das almas fervorosas, para as quais Jesus Cristo é vida; e a Liturgia, cantando a bondade inefável e o amor infinito de Deus para com os homens, faz-se íntima e terna ao mesmo tempo. 

Ela convida-nos a uma gratidão sem limites e a uma invencível esperança, a nós que, pela misericordiosa obra do amor divino do Coração de Jesus, conhecemos a grandeza da caridade e ciência de Cristo. Louvemos, pois, os sofrimentos do Salvador que exuberantemente nos provam o seu amor para conosco; admiremos e imitemos os sentimentos de mansidão e humildade que na sua via nos revela e ensina; e, para melhor nos instruirmos deles, meditemos nos insultos e na miséria da sua Paixão, que o Profeta-Rei entreviu, já de longe, quando nos mostrou Jesus como homem de dores, “oróbio de homens e abjeção da plebe”, perante quem se move a cabeça por escárnio, dirigindo-lhe injúrias. Todavia a sua obediência, e a humildade com que suportou tais tormentos e humilhações, alcançaram-lhe o triunfo da Ressurreição e a sua alma ovante e gloriosa levantou-se do Limbo, onde fora salvar os que lá esperavam a hora bendita da Redenção. 

Ouçamos a grande lição de amor, que Jesus praticou até morrer na Cruz. 

Foi ali que nasceu a devoção para com o Mestre, cujo Divino Coração cessar de pulsar. Dali recolheu a Liturgia desde o berço o profundo significado do providencial incidente, de o soldado romano abrir o lado de Jesus, e dele sair, como últimas gotas do seu Coração, sangue e água. Apesar da sua expansão bem tardia, tem, a devoção para com o Coração de Jesus um caráter bem acentuado de antiguidade, e os hinos de reconhecimento por todos os benefícios recebidos do Redentor cedo começaram entre as assembleias cristãs. S. Agostinho expande-se em sentimentos sobre o golpe vibrado pela lança do soldado, em notáveis homilias, das quais a Igreja se serve ainda hoje no Tempo da Paixão. 

Deus dignou-se, depois, ir buscar à Ordem de S. Bento os confidentes das primeiras revelações relativas ao Sagrado Coração. Serão, por exemplo, bastantemente conhecidos os livros onde Santa Gertrudes consigna todos os segredos que o divino Mestre lhe confiou nas conversas com que honrou a sua fiel serva, muito tempo antes das promessas feitas a S. Margarida Maria, no mosteiro de Paray-le-Monial? 

Ali teriam os cristãos utilidade em aprender que a devoção para com o Coração Sagrado de Jesus não é uma simples expansão de ternura nem uma concessão às tendências desvairadas de certa piedade moderna, impregnada de mórbidos sentimentalismos, mas sim um aspecto do inegável amor de Cristo, sempre forte e generoso, na sua mais doce expressão. 

É esta verdadeiramente a tradição da Igreja que se compraz em excitar o amor para com Aquele que, “tendo-nos amado até ao fim”, nos quis ainda mostrar o seu Coração chagado como a derradeira expressão da sua infinita caridade para conosco. 

Os textos da Missa que ultimamente foi imposta encerram os elementos principais em que se funda a devoção para com o divino Coração.


[Segue abaixo o texto do próprio da Missa da Festa do Sagrado Coração de Jesus]

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