Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Décimo Domingo depois de Pentecostes

D. Crisóstomo d’Aguiar

Será empreender o impossível querer o cristão santificar-se por si mesmo, sem intervenção do Céu, porque serão sem eficácia sobrenatural os atos que se não originarem no Espírito divino, sem o qual nada podemos levar a cabo. Por este motivo é que tão inculcada nos é a humildade: impotentes e pecadores, andaríamos na escravidão do mal, se Deus de sua mão benéfica e poderosa nos não impedisse de cometer pecados, ou, havendo-os feito, nos não concedesse logo o mais generoso perdão. Pois se, sem Deus, nem o nome de Jesus podíamos pronunciar para confessar e afirmar a sua divindade (Epístola)… 

Sendo assim, compreende-se porque, no Evangelho, tão fortemente se estigmatiza o dementado orgulho do fariseu que a si mesmo se atribuía o bem exterior da sua vida, muito confiado nos próprios merecimentos, enquanto com revoltante insatisfação lançava um olhar de desprezo para o pobre e humilde publicano. Inimigo de Deus, o orgulho rouba e apropria-se de bens que só a Deus pertencem, e que, o Senhor reparte como lhe apraz pelas suas criaturas (Epístola), e tantas vezes impede que em nós se manifeste o poder de misericórdia e de perdão do nosso Deus tão bom (Oração), porque nos faz acreditar que somos capazes de alguma coisa por nós mesmos.

Se, porém, a alma é humilde, feliz em reconhecer o próprio nada, como nela habitará a virtude de Cristo, e como Deus se comprazerá nela nas efusões de todas as virtudes!

Pela oração, a mais perfeita manifestação de humildade, recorrerá a Deus (Introito, Ofertório) e lhe rogará que venha em seu auxílio, e a graça descerá em abundância, pois que Deus “aos que têm fome enche de bens e aos que tudo possuem manda embora sem nada”, “aos soberbos resiste mas aos humildes dá a graça”. Assim, todo o que se eleva será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado. O publicano desceu do templo, aonde fora a orar, inteiramente justificado, mas o fariseu, mais pecador saiu, porque, em vez de orar, de pé, com orgulho, apenas fizera parada e ostentação das suas pretendidas virtudes (Evangelho).


[Segue abaixo o texto do próprio da Missa do Décimo Domingo depois de Pentecostes]

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