Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Quarto Domingo depois da Epifania

D. Crisóstomo d’Aguiar

Aquele a quem os Anjos adoram manifestou-se a nós na terra como rei e como Deus (Introito). O Evangelho narra-nos outro milagre a provar-nos esta verdade. Jesus, acalmando a tempestade, como Deus impera sobre as criaturas indóceis e poderosas, como são ventos desencadeados e mares enfurecidos… Para mais inculcar a importância do prodígio opõe-se à “grande agitação das vagas”, “a grande tranquilidade que se seguiu” (Evangelho). Os Padres veem nos ventos soprado furiosamente um símbolo dos demônios, cujo orgulho levanta as perseguições contra os Santos; e, no mar tumultuosamente enfurecido, as paixões e a maldade dos homens, causa das transgressões dos mandamentos, e das discórdias entre irmãos. 

Com efeito, a lei e a caridade são uma e a mesma coisa, como no-lo mostra a Epístola; porque se os três primeiros artigos do Decálogo nos preceituam o amor de Deus, os outros sete nos impõem, como lógica consequência, o amor do próximo. 

“Aquele barco, diz S. Agostinho, figurava a Igreja”, que pelos séculos fora nos mostra a divindade de Cristo. É com efeito à sua onipotente assistência e proteção que ela deve, “apesar de frágil e exposta”, não ser submergida “no meio de tantos perigos que a ameaçam” (Coleta), e seus filhos, libertados das deleitações da terra e nutridos de celestes alimentos que lhe são ministrados no ministério do Altar (Ofertório), vão seguros, no mar tormentoso do mundo, a porto de salvamento. 

Jesus, explica S. João Crisóstomo, parece que está adormecido para nos obrigar a recorrer a Ele, mas salva sempre os que O invocam. Tenhamos fé n’Ele.


[Segue abaixo o texto do próprio da Missa]