Homilia sobre a Santa Páscoa

A Ressurreição, por Fra Angelico

São João Crisóstomo

[Nota] Alguns duvidaram que esta homilia fosse autêntica. Fundaram-se no fato de que nela se repetem ideias e alguns pedaços de outras, como aquela sobre o cemitério e a cruz e a outra contra os bêbados e sobre a Ressurreição. Mas o parecer geral é que se trata de uma obra genuína de Crisóstomo. Era natural que havendo de pregar o santo durante 18 anos às vezes se repetia ou simplesmente lançava mão de matérias já muito de antemão preparadas e tratadas. Isto mesmo faz ver como o santo jamais se preocupou da glória humana: ia ao que interessava, que era utilidade dos ouvintes! Ademais, Demóstenes mesmo em mais de uma ocasião repetiu-se e ainda se citou a si mesmo.
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Oportunamente podemos hoje todos exclamar com o profeta Davi: quem contará as obras do poder de Javé? Quem poderá dar-Lhe todo louvor que merece? Eis que chegou para nós a desejada e saudável festividade, a saber, a Ressurreição do Senhor Jesus, que é motivo de paz e causa de reconciliação; e que removeu as guerras, acabou com a morte e derrubou o demônio! Hoje os homens misturaram-se aos anjos, e os que estão vestidos de corpo cantam hino junto com as Potestades incorpóreas! Hoje se lançou por terra a tirania do demônio! Hoje se partiram as ataduras da morte! Hoje se concluiu a vitória sobre o inferno! 

Por isso podemos hoje levantar aquele canto profético: onde está, ó morte, teu aguilhão? Onde, ó inferno, tua vitória? Hoje nosso Senhor Jesus Cristo rompeu as portas de bronze e acabou com a morte mesma! Que quero dizer com a morte? Seu próprio nome mudou, já não se chama morte, mas sonho e dormição! Porque antes da vinda de Cristo e da exaltação da Cruz, o nome próprio da morte era temível. O primeiro homem escutou como uma pena muito grave aquela sentença: em qualquer dia em que comeres, morrerás. E o bem-aventurado Jó com este nome a designou: a morte é descanso para o varão! E o profeta Davi dizia: a morte do pecador é péssima! E designava-se com o nome de morte, não somente a separação da alma e do corpo, mas o inferno mesmo. Ouve o patriarca Jacó como diz: levarei minha velhice com dor até o inferno! E também o profeta: o inferno abriu sua boca! E outro profeta: livrar-me-á do lago inferior! Ou seja, do profundo inferno. E em muitas outras passagens do Antigo Testamento encontrarás que a passagem desta vida se chama morte ou inferno.

Mas, como Cristo, Deus nosso, ofereceu-se em sacrifício, e no logo se seguiu a ressurreição, o benigno Senhor suprimiu esses nomes, e trouxe ao mundo o modo de viver estranho e novo; e desde então a passagem desta vida não se chama morte, mas sonho e dormição. Como se demonstra isso? Ouve a Cristo que diz: nosso amigo Lázaro dorme, mas hoje vou despertá-lo do sonho! Porque assim como para nós é fácil despertar e fazer voltar a si aquele que dorme, assim o é, para o comum Senhor de todos, ressuscitar os mortos.

Assim, como era novo e estranho o que Ele havia dito, nem os próprios discípulos entenderam o que dizia, até que, acomodando-se Ele à debilidade deles, disse-lhes tudo mais claramente.

E o Doutor de todo o orbe, Paulo, escrevia aos Tessalonicenses: não quero que ignoreis, irmãos, o tocante à sorte daqueles que já dormiram, para que não vos entristeçais como os demais que carecem de esperança. E também em outra parte: então os que já dormiram em Cristo, pereceram! E também: nós, os que vivemos, os que ficamos para vinda do Senhor, não nos anteciparemos aos que já dormiram. E de novo: pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus aos que dormiram tomá-los-á consigo.

Vês como a morte com frequência se chama sonho e descanso? E como aquela que era antes terrível, agora se fez desprezível com facilidade? Vês a esplêndida vitória da ressurreição? Porque por ela nos vieram infinitos bens! Por ela se desfez a falácia do demônio. Por ela nos rimos da morte. Por ela desprezamos a vida presente. Por ela nos inflamamos no desejo dos bens futuros. Por ela, ainda que estejamos vestidos de corpo, em nada somos inferiores, se nós quisermos, aos seres incorpóreos.

Hoje celebramos um preclaro triunfo de vitória! Hoje o Senhor nosso, ao erguer um troféu contra morte, e havendo pisoteado a tirania do demônio, deixou-nos, com sua ressurreição, seguro o caminho para a saúde! Alegrarmo-nos, pois, todos! Demos saltos de gozo e de regozijo! Porque, ainda que seja propriamente o Senhor que ergueu o troféu e venceu, contudo, comum é alegria, comum é gozo; posto que tudo Ele levou a cabo por nossa salvação; e pelos meios com os quais o demônio havia vencido, por esses mesmos meios Cristo o venceu. Tomou Ele suas mesmas armas e com elas o venceu. Como terá sido isso, ouve-o!

Uma virgem, um lenho e a morte eram os símbolos de nossa ruína. Porque virgem era Eva, posto que quando foi enganada ainda não conhecia varão. Lenho era a árvore. A morte era o castigo imposto a Adão. Vês, pois, como uma virgem, um lenho e a morte são símbolos de nossa ruína? Então vê agora como eles mesmos vieram a ser a causa de nossa vitória. Em vez de Eva, Maria. Em vez da árvore da ciência do bem e do mal, o lenho da Cruz. Em vez da morte de Adão, a morte do Senhor. Observas como por meio daquelas coisas com que venceu o demônio, por essas foi vencido?

O demônio havia vencido Adão por meio de uma árvore; pois Cristo, por meio da árvore da Cruz, derrotou o demônio; e por certo, aquela árvore lançava ao inferno, enquanto que o lenho da cruz aos mortos os tira do inferno. Aquele, ao que havia sido vencido, o cobrira, mas como a um guerreiro cativo e despido; este, por outro lado, mostrava a todos o vencedor despido e cravado no alto. Aquela morte primeira a todos arrastava à condenação; mas esta segunda, ainda àqueles que a precederam os ressuscita. Quem, pois, poderá contar as obras do poder de Javé e dar-Lhe o louvor que se merece? Por meio da morte fomos feitos imortais! Mediante uma queda fomos levantados! Mediante uma derrota somos vencedores!

Estas são as obras excelentes da Cruz, e a melhor demonstração da ressurreição. Hoje os anjos formam coros, todas as Virtudes do céu se alegram em comum se gozam pela salvação do gênero humano. Hoje a natureza humana, libertada da tirania do demônio, voltou em Cristo à sua intocada dignidade. Porque quando eu vejo que minhas primícias alcançaram a vitória sobre a morte, já não temo a guerra, já não me horroriza. Já não considero minha debilidade, mas vejo o imenso poder que pelejará por mim. Pois, quem venceu a tirania da morte e lhe tirou sua força o que não fará adiante pelos de sua linhagem, de cuja forma por sua grande clemência se dignou revestir, e por meio dela desceu à arena e se pôs a combater contra o demônio?

Hoje por todo orbe da terra há gozo e alegria espiritual. Hoje, também, todo o coro dos anjos e todo o conjunto das Virtudes celestes alegram-se pela saúde dos homens.

Pensa, pois, caríssimo, na magnitude do gozo, já que também as Potestades superiores celebram conosco a festividade; elas se alegram do nosso bem! Porque, ainda que esta graça esteja propriamente ordenada pelo Senhor para nós, contudo, elas participam de nosso gozo. E por isso não se envergonham de celebrar a festa conosco. Mas que digo eu, que nossos conservos não se envergonham de celebrar a festa juntamente conosco? O Senhor nosso e deles não se envergonhou de fazê-lo! Não somente não se envergonhou, mas anseia por celebrar a festa conosco!

E como ficará isso claro? Ouve-O quando disse: tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa. Pois se desejou comer a Páscoa, é certo que também desejou celebrar a festa conosco. Vendo, pois, tu não somente os anjos e todo o coro das celestes Potestades e o mesmo Senhor dos anjos, celebrar a festa conosco, que coisa te falta para alegrar-te?

Que ninguém no dia de hoje esteja triste por sua pobreza! Trata-se de uma festa espiritual! Que nenhum rico se ensoberbeça por suas abundantes riquezas; porque nada pode acrescentar com suas riquezas a esta festividade! Nas festas profanas, onde há grande pompa e grande abundância de manjares nas mesas, com razão o pobre se encontra na tristeza e tem de baixar seus olhos de vergonha, enquanto o rico se encontra entre delícias e gozos. E isto por quê? Porque anda o rico cingido de esplêndidas vestiduras e prepara uma mesa muito mais abundante; enquanto o pobre é impedido em sua estreiteza de ostentar um luxo parecido. Porém nada que a isso se pareça há aqui. Longe está toda essa desigualdade! Uma mesma é a mesa para o rico e para o pobre, para o servo e para o livre! Se és rico não por isso terás mais que o pobre; e se pobre, nada menos que o rico!

Não se diminui a abundância do banquete espiritual por motivo de penúrias; porque divina é esta graça e não compreende discriminação de pessoas. Mas, que quero dizer pôr-se a uma mesma mesa o pobre e o rico? Mais ainda: uma mesma mesa põe-se diante daquele que anda cingido de Diadema e vestido de púrpura e que tem em sua mão o império do universo, e do pobre que está por lá sentado e pede esmola. Porque desta natureza são os bens espirituais: comunicam-se e distribuem-se não segundo as dignidades, mas antes segundo as vontades e os bons propósitos. Com a mesma confiança aproximam-se da participação e do uso dos divinos mistérios o imperador e o pobre. Mas que digo eu com a mesma honra? Muitas vezes o pobre aproxima-se com maior confiança!

Isto ocorre por quê? Porque o imperador, distraído com os cuidados e negócios, e rodeado por todas as partes de diversas circunstâncias, como se estivesse no meio do mar, assim é agitado todos os lados pelas ondas se lançam por cima, e se mancha com muitos pecados. Por sua vez, um pobre, livre de tudo isso, e somente solícito daquilo que tem de comer, e levando uma vida livre de negócios e tranquila, como se estivesse sentado em um porto seguro e em lugar sereno, apresenta-se diante desta mesa.

Mas, não somente pelo que foi dito, mas também por outras muitas causas, aos que celebram festas profanas, se lhes oferecem muitas ocasiões de tristeza. Porque semelhantes festas o rico as celebra com gozo e o pobre com tristeza, não unicamente pela abundância das mesas, mas ademais pelos vestidos esplêndidos e a excelência dos mantos. E aquilo que padecem por causa da abundância das mesas, o sofrem também por motivo das vestes. Quando o pobre observa o rico refulgente por suas vestiduras, desgarra-se de dor e estima a si mesmo como miserável e irrompe em maldições. Mas nesta outra festividade, semelhante tristeza se acha excluída, posto que somente há uma vestidura que seja saudável. Por isto Paulo exclama: todos aqueles que haveis sido batizados em Cristo vos haveis revestido de Cristo!

Consequentemente, rogo-vos que não desonremos esta festividade, mas recebamos os dons que a divina graça nos concedeu com uma disposição de nosso ânimo que seja digna. Não nos entreguemos à embriaguez e à libertinagem. Mas, melhor ainda, tendo em conta a munificência de Deus para conosco, e como Ele honrou igualmente os ricos e os pobres, os servos e os livres, e nos enviou um dom comum a todos, correspondamos com iguais serviços ao nosso benfeitor por essa benevolência que nos tem mostrado. E o côngruo serviço com que podemos corresponder é viver de uma forma que Lhe seja agradável, com ânimo vigilante e temperado.

A presente festividade não requer dinheiro, não necessita riquezas nem presentes, mas um bom propósito e uma alma pura. Nada corporal há aqui que possa comprar-se, porque tudo é espiritual, como são a doutrina das Sagradas Escrituras, as orações dos sacerdotes, as bênçãos, a comunicação do divinos e arcanos mistérios, a paz e concórdia, os dons espirituais dignos da munificência de seu doador. Celebremos, pois, esta festividade na qual ressuscitou o Senhor, porque ressuscitou e juntamente ressuscitou a todo o universo! Ele ressuscitou havendo rompido as ataduras da morte; e a nós nos ressuscitou desatando as cadeias de nossos pecados. Pecou Adão e morreu; não pecou Cristo e morreu. Coisa nova e singular! Aquele pecou e morreu! Este não pecou e morreu! Por que motivo? Porque causa? Para que aquele que pecou e morreu, por meio do que não pecou e morreu pudesse se tornar livre das ataduras da morte!

Isto mesmo normalmente acontece quando se trata de dinheiro. Deve alguém a outro prata, não pode pagar e por isto acaba preso. Mas outro, que nada devia, mas que está na possibilidade de pagar, entrega o dinheiro e livra do cárcere o devedor. Pois algo parecido se passou entre Adão e Cristo. Devedor era Adão e sujeito estava à morte, e estava encarcerado pelo demônio. Cristo nada devia nem estava encarcerado. Contudo, veio e pagou a dívida de morte em lugar do encarcerado para assim livrá-lo das ataduras da morte. Vês o preclaro fruto da ressurreição? Vês a benignidade do Senhor? Vês a grandeza da Providência? Não sejamos, pois, ingratos para com tão grande benfeitor; nem porque já passou o tempo do jejum nos tornemos preguiçosos! Ao contrário, agora cuidemos de nossa alma com maior empenho que antes, com o fim de que não aconteça que, engordada a carne, a alma se torne mais débil: não ocorra que, cuidando da escrava, descuidemos a senhora! Que utilidade há, pergunto, em que nos rompamos de tão gordos e ultrapassemos toda medida? Com isso inclusive o corpo se destrói a alma recebe dano! Tomemos a quantidade de alimento que nos pede a necessidade; para que deste modo demos o conveniente tanto à alma quanto ao corpo; e para que não dissipemos apressadamente aquilo que com o jejum havíamos colhido.

Proíbo por isso uso o alimento para recreação? Não o faço! Unicamente exorto que não excedamos o necessário e que cortemos o prazer insignificante, afim de que não suceda que, passando da medida, danemos a saúde da alma. Porque em verdade nem sequer desfrutará do prazer aquele que passa por cima dos limites da necessidade: coisa que sabem muito bem os que já o experimentaram! Porque se procuraram infinitos gêneros de enfermidades e sofreram enormes moléstias!

Por isto, dando por terminada esta matéria, dirijo meu discurso aos que nesta noite, portadora de luz, foram dignos de receber o batismo. Isto é, a estas formosas plantas da Igreja, a estas flores espirituais, a estes novos soldados de Cristo. Anteontem Cristo pendia da Cruz, mas agora já ressuscitou. Do mesmo modo, estes anteontem ainda estavam retidos pelo pecado, mas agora ressuscitaram com Cristo. Ele morreu em seu corpo e ressuscitou; estes estavam mortos pelo pecado e ressuscitaram do pecado. De maneira que a terra, nesta estação de primavera, produz rosas, lírios e outros gêneros de flores; mas hoje as águas, muito mais amenas que a terra, nos oferecem todo um prado de flores.

E não te admires, caríssimo, se da água brotarem prados cobertos de flores! Porque tampouco a terra lá em seus princípios brotou os gérmens das plantas por sua própria natureza, mas antes por mandato de Deus. Naquele tempo, as águas produziram animais dotados de movimento, porque ouviram o mandato: produzam as águas em abundância animais que nelas se movam! E o preceito se converteu em fatos: a substância da inanimada produziu seres viventes! Pois agora este mesmo preceito operou totalmente e do mesmo modo. Então disse: produza as águas animais que nela se movam! Agora, por outro lado, não produzem animais, mas derramam seus dons espirituais. Naquele tempo as águas produziram peixes destituído de razão; agora, ao contrário, engendraram-nos peixes racionais e espirituais, aqueles que os apóstolos pescaram. Porque diz: vinde após mim e farei de vós pescadores de homens!

Novo gênero de pesca! Porque os pescadores pescam peixes nas águas e, uma vez capturados, matam-nos. Nós, de outro modo, lançamos à água os que são colhidos, e recebem a vida. Também antigamente havia entre judeus uma piscina de água. Mas, observe o que é o que ela podia, para que vejas com maior claridade a pobreza dos judeus; e ao mesmo tempo observe nossa abundância! Descia, diz a Escritura, o anjo e movia a água; e o primeiro que ele mergulhava, depois do movimento da água, alcançava a saúde! Desceu o Senhor dos anjos às correntes do Jordão e havendo santificado a natureza da água, sanou todo o orbe. Por isto lá, aquele que mergulhava depois do primeiro, já não se curava, porque era aquela uma graça concedida aos judeus enfermos, e que ainda se arrastavam pela terra. Aqui, ao contrário, após o primeiro desce o segundo; depois do segundo, o terceiro e o quarto. E ainda que digas infinitos, e ainda que deites estas correntes espirituais a todo o orbe da terra, a graça não se consome, o dom não se esgota, as correntes não se mancham, a liberalidade não diminui.

Vistes a grandeza do dom? Ouvi-lo vós que nesta noite fostes inscritos como cidadãos da Jerusalém celestial! Custodiai de uma forma digna de sua grandeza estes dons, para que alcanceis e atraí sobre vós graça mais abundante! Porque a alma, agradecida pelo que recebeu, provoca a munificência de Deus. Já não te é lícito, caríssimo, viver de qualquer maneira; mas hás de pôr a ti mesmo leis e regras para fazer todas as coisas com perfeição; e hás de pôr sumo cuidado em guardar ainda os preceitos que se julgam leves. Toda a vida presente é um certame e uma batalha. Por isto, todos quanto uma vez entraram neste estádio, convém que sejam de todo continentes. Porque todo aquele que combate no certame, diz a Escritura, abstém-se de todas as coisas!

Não vês nos certames ginásticos quanto cuidado de si mesmos têm aqueles que deitaram sobre si a carga da luta contra os homens, e como exercitam seu corpo com tão grande continência? Pois aqui as coisas vão pelo mesmo caminho! Já que nossa batalha não é contra homens, mas contra os espíritos da maldade, convém que o nosso treinamento e nossa continência sejam também espirituais. Espirituais são também as armas de que Deus nos revestiu. Tenham, pois, os olhos em seu termo e suas regras para que não se aventurem por qualquer objeto que se lhes ofereça; tenha também a língua seu limite e que ela não se adiante sem razão! Por isso os lábios e os dentes foram postos como os guardiões da língua, a fim de que nunca salte ela fora da porta, nem se livre dos guardas levemente; mas que uma vez que a língua dispuser convenientemente tudo o que a preocupa, finalmente se adiante com todo decoro e ornato; e profira palavras tais que agradem aos que ouvem; e fale aquelas coisas que hão de produzir edificação naqueles que as percebem.

Convém desde já evitar todo riso dissoluto e sair em público andando modestamente e não de forma precipitada, e levando túnica cingida. Deste modo convém e se arranje de todo em tudo e se componha quem tiver dado seu nome nos certames para este estádio da virtude. Porque a compostura exterior dos membros é como que uma imagem do estado interior da alma.

Se desde o princípio nos ajustamos a estes costumes, facilmente daqui por diante, ao ir subindo no caminho, recolheremos todos as virtudes, e não teremos necessidade de pôr excessivo trabalho, e do céu lograremos mui grande auxílio. Desta maneira poderemos passar com segurança por entre as ondas desta vida. E depois de haver vencido todas as ameaças do demônio, conseguir os bens eternos, por graça e benignidade do Senhor nosso Jesus Cristo, com a com qual seja no Pai, juntamente com Espírito Santo, a glória, o poder e a honra, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.

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Traduzido por Leonardo Brum a partir da versão espanhola disponível em <http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/es/ert.htm>.