Vida de Santa Águeda

Santa Águeda em detalhe de pintura de Francisco de Zurbarán

Johann Peter Kirsch, Enciclopédia Católica


Uma das mártires virgens mais veneradas da cristandade antiga, morreu por sua resoluta profissão de fé em Catânia, Sicília. Ainda que seja incerto em que perseguição isso teve lugar, podemos aceitar , provavelmente baseados na tradição antiga, evidência de sua vida lendária, composta em data posterior, segundo a qual seu martírio ocorreu durante a perseguição de Décio (250-253). 

A certeza histórica se fundamenta meramente no fato de seu martírio e na veneração pública que lhe rende a Igreja desde tempos primitivos. No chamado Martyrologium Hieronymianum (ed. De Rossi and Duchesne, en Acta SS., Nov. II, 17) e no antigo Martyrologium Carthaginiense  que data desde o século V ou VI (Ruinart, Acta Sincera, Ratisbon, 1859, 634) , o nome de Santa Águeda é recordado em 5 de fevereiro. No século VI, Venantius Fortnuatus a menciona em seu poema sobre a virgindade como uma das virgens e mártires cristãs celebradas (Carm., VIII, 4, De Virginitate: Illic Euphemia pariter quoque plaudit Agathe Et Justina simul consociante Thecla. etc.). Nos poemas do Papa Dâmaso publicados por Merenda e outros há um hino a Santa Águeda (P.L., XIII, 403 sqq.; Ihm, Damasi Epigrammata, 75, Leipzig, 1895). Entretanto, este poema não é o trabalho de Dâmaso, senão produto de um autor anônimo de um período posterior que foi evidentemente feito para celebração litúrgica da Santa. Seu conteúdo é tirado da lenda de Santa Águeda, e o poema está marcado por uma rima final. Por uma carta do papa Gelásio  (492-496) a certo bispo chamado Víctor (Thiel. Epist. Roman. Pont., 495) sabemos de uma basílica de Santa Águeda in fundo Caclano, isto é, no território de mesmo nome. As cartas de Gregório I mencionam Santa Águeda em Roma, na Subura, com quem estava relacionada uma diaconia ou diaconato (Epp., IV, 19; P.L., LXXVII, 688). Este já existia no século V, porque na última metade desse século, Rieimer a enriqueceu com um mosaico. Esta mesma igreja foi dada aos góticos arianos por Rieimer e foi restaurada para veneração católica pelo Papa Gregório I (590-604).

Ainda que o martírio de Santa Águeda seja, por fim, autêntico e sua veneração como Santa tenha se espalhado mesmo na Antiguidade para além de seu lugar de origem, ainda não possuímos informação confiável em relação aos detalhes sua gloriosa morte . É certo que temos as Atas de seu martírio em duas versões, a latina e agrega, a última derivada da primeira (Acta SS., I, Feb., 595 sqq.). Não obstante, nenhuma dessas versões revisadas podem clamar credibilidade histórica e nenhuma dá evidência interna necessária de que a informação que contém repousa, inclusive em seus detalhes mais importantes, em genuína tradição. Se há um núcleo de verdade histórica na narrativa, não foi nem ainda possível escrutiná-lo a partir dos últimos embelezamentos. Em sua forma atual, os atos latinos não são mais antigos que o século VI. De acordo com eles, Águeda, filha de uma distinta família e notável pela beleza de sua pessoa, foi perseguida pelo Senador Quintianus, confesso de amor. Como suas propostas amorosas foram resolutamente rechaçadas pela piedosa virgem cristã, ele  ocupou-se de acusá-la de ser uma mulher malvada, cujas artes sedutoras, entretanto, foram desconcertadas pela inabalável firmeza de Águeda na fé cristã. Quintianus, então, submeteu Águeda a diversas torturas cruéis. Parecia especialmente desumana sua  ordem de que seus seios fossem cortados, detalhe que foi adornado pela iconografia cristã medieval com uma peculiar característica de Águeda. Porém, a Santa Virgem fui consolada pela visão de São Pedro que, milagrosamente, a curou. Eventualmente, ela sucumbiu às repetidas crueldades praticadas nela. Tal como se disse, aqueles detalhes ao que parece, como estão baseados nas Atas, não reclamam para si credibilidade histórica. Allard também caracteriza as Atas como o trabalho de um autor posterior que estava mais preocupado com o escrever uma narrativa edificante, cheia de milagres do que em transmitir tradições históricas.

Ambos, Catânia e Palermo, alegam a honra de ser o lugar de nascimento de Águeda. Sua festa se celebra em 5 de fevereiro; seu ofício no Breviário Romano é tirado em parte dos Atos Latinos. Catânia honra Santa Águeda como sua santa padroeira em toda região ao redor do monte Etna ela é invocada contra as erupções do vulcão como, em outras partes, contra o fogo e os raios. Em alguns lugares pão e a água são benzidos durante a Missa em sua festa depois da consagração e é chamado pão de Águeda. 

Fonte: Kirsch, Johann Peter. "St. Agatha." The Catholic Encyclopedia. Vol. 1. New York: Robert Appleton Company, 1907. 2 Feb. 2018 <http://www.newadvent.org/cathen/01203c.htm.

Traduzido por Leonardo Brum a partir da versão espanhola disponível em <http://ec.aciprensa.com/wiki/Santa_Agata>.

[Segue abaixo oração à santa por ocasião de sua festa, a 5 de fevereiro, extraída do Missale Romanum, 1943]

OREMOS

Ó Deus que, entre outras maravilhas do vosso poder, concedestes mesmo ao sexo frágil a vitória do martírio, por vossa bondade fazei com que, celebrando o nascimento no Céu da bem-aventurada Águeda, vossa Virgem e Mártir, cheguemos a Vós, imitando os seus exemplos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

OREMUS

Deus, qui inter cétera poténtiæ tuæ mirácula étiam in sexu frágili victóriam martyrii contulísti: concéde propítius; ut, qui beátæ Agathæ Vírginis et Mártyris tuæ natalia cólimus, per ejus ad te exémpla gradiámur. Per Dóminum Nostrum Jesum Christum.