Sociedade civil católica, destinada à difusão da Cultura Ocidental e à atuação política em defesa da família, em observância à Doutrina Social da Igreja.

Vida de Santa Mônica

Santo Agostinho e sua mãe, na obra “Santa Mônica”, de Ary Scheffer, 1846.

Hugh Pope, Enciclopédia Católica

Viúva; nascida de pais cristãos em Tagaste, Norte da África, em 333; morreu em Ostia, próximo a Roma, em 387.

Sabemos pouco acerca de sua infância. Ela se casou cedo com Patrício que conseguiu um cargo de oficial em Tagaste. Ele era pagão e, assim como tantos em seu tempo, sua religião não era mais que um nome para ele; possuía um temperamento violento e parecia ter hábitos dissolutos. Consequentemente, a vida matrimonial de Mônica estava longe de ser uma vida feliz, especialmente porque a mãe de Patrício parecia ter uma disposição semelhante com ela. Havia evidentemente um abismo entre marido e esposa; suas esmolas e seus hábitos de vida de oração o aborreciam, mas diz-se que ele sempre teve certa reverência por ela. Mônica não era a única matrona de Tagaste cuja vida de casada foi infeliz, mas, devido a sua doçura e paciência, ela foi capaz de exercitar um verdadeiro apostolado para as esposas e mães de sua cidade natal; elas sabiam que Mônica sofria como elas, e assim suas palavras e exemplos exerciam grande efeito em suas vidas.

Três crianças foram fruto de seu matrimônio, Agostinho, o mais velho, Navígio, o segundo, e uma filha, Perpétua. Mônica não conseguiu garantir o batismo para seus filhos, e seu pesar foi muito grande quando Agostinho adoeceu gravemente; em sua angústia, implorou a Patrício que o menino fosse batizado, e ele aceitou, mas na recuperação do garoto retirou seu consentimento. Toda a ansiedade de Mônica agora se centrou em Agostinho; ele foi um jovem rebelde e, como ele mesmo nos conta, também foi preguiçoso. Ele foi enviado para escola em Madaura e Mônica literalmente entregou às mãos de Deus a alma de seu filho. Uma grande consolação foi concedida a ela — em compensação talvez por tudo que ela ainda passaria por Agostinho — Patrício se converteu ao cristianismo. Durante esse tempo, Agostinho foi enviado para Cartago, para dar continuidade aos seus estudos, e ali ele caiu em grave pecado. Patrício morreu pouco tempo após sua recepção na Igreja, e Mônica decidiu não se casar novamente. Em Cartago, Agostinho tornou-se maniqueísta e, em seu retorno para casa, ele expôs certas proposições heréticas, até que sua mãe o afastou da mesa. Mas visões estranhas insistiam para que ela se lembrasse sempre de seu filho. A esse tempo, Mônica foi ver um certo bispo, cujo nome não é sabido, mas ele a consolou com estas palavras agora conhecidas: “o filho dessas lágrimas jamais perecerá”. Não há história mais patética nos anais dos santos do que a de Mônica perseguindo seu filho rebelde a Roma, depois que ele passara furtivamente; quando ela chegou, ele já havia ido para Milão, mas ela o seguiu. Aqui ela encontrou Santo Ambrósio e através dele teve a alegria de ver Agostinho ceder, após dezessete anos de resistência. Mãe e filho passaram seis meses de verdadeira paz em Cassiacum, e após esse tempo Agostinho foi batizado na igreja São João Batista, em Milão. A África os chamou enfim, e eles se puseram em viagem de volta, parando em Cività Vecchia e em Óstia. Aqui a morte levou Mônica, e as mais belas páginas de “Confissões” foram escritas como fruto da emoção que Agostinho experienciou nesse momento.

Santa Mônica foi enterrada em Óstia, e de início pareceu ser quase esquecida, até que seu corpo foi removido durante o século VI e levado para uma cripta escondida na igreja de São Áureo. Por volta do séc. XIII, o culto a Santa Mônica começou a se espalhar e uma festa em sua honra foi estabelecida no dia 4 de maio. Em 1430 Martinho V ordenou que suas relíquias fossem levadas para Roma. Muitos milagres ocorreram no caminho, e a veneração a Santa Mônica foi finalmente estabelecido. Depois, o Arcebispo de Ruão, o Cardeal d’Estouteville, ergueu uma igreja em Roma em honra a Santo Agostinho e depositou as relíquias de Santa Mônica na capela à esquerda do altar, O ofício de Santa Mônica só obteve seu lugar no Breviário Romano após o século XVI.

Em 1850 foi estabelecida na Catedral de Sião em Paris, uma Associação de Mães Cristãs sob o patronado de Santa Mônica; seu objetivo era de orações mútuas por seus filhos e maridos desviados na fé. Essa Associação foi elevada em 1856 à categoria de arquoconfraternidade e se espalhou rapidamente por todo o mundo católico, sendo estabelecidas filiais em Dublin, Londres, Liverpool, Sidney e Buenos Aires. Eugênio IV havia estabelecido uma Confraria semelhante muito antes.

FONTE:

Pope, H. (1911). St. Monica. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved May 4, 2020 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/10482a.htm

Traduzido por Isabel Lisboa

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